O Silêncio Nu
domingo, 15 de janeiro de 2012
O Pássaro, a Semente e a Flor.
sábado, 19 de novembro de 2011
Um Texto Simples
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Câmera-lenta
Eu não te amo. E dizer isso não me dói. Porém saiba que sob cada palavra que eu lhe escrevi, eu escondi um desejo latente. Que você não viu. Como numa dança, onde o que lhe encanta são os gestos e as expressões que escapam do rosto, o que eu lhe digo está nos pés da bailarina. Que você não vê.
Um diante do outro, nossos olhos cortam em direções opostas. Às suas costas vejo um céu alaranjado que aos poucos escorre no horizonte. A câmera-lenta é tão melancólica que é quase como se eu chorasse. Mas eu não choro. Procuro nos seus olhos de breu o horizonte que se desenha às minhas costas, porém eles não me dizem nada. Ou eu não vejo.
Eu tropeço nas palavras que eu não sei escrever, porque os passos da bailarina são dados no escuro. Pensar em você é sempre pensar em outro lugar. Um lugar meio vazio. Eu não sei nada além do seu nome que eu vejo em todos os lugares, de tantas maneiras. Dizer que eu não te amo é a forma mais sincera de te amar.
domingo, 23 de outubro de 2011
Seu Poema Preferido
A distância não é bonita.
Sento-me numa cadeira de madeira maciça. Observo os livros apertados na estante larga, como calcificados. Em algum deles está o seu poema preferido, que eu não sei qual é. A cortina aberta deixa entrar uma luz fraca pela sala. O cômodo está amarelado. É o sol que se põe sem pressa alguma. Penso em meia dúzia de versos e em nenhuma rima.
A ciranda roda de olhos fechados.
Alguém vê meu rosto e detêm cada traço meu na memória. No entanto eu não sei quem é, pois meus olhos se prendem a outros traços, de uma pessoa que não sabe quem sou. E roda. Você sorri vagamente, como se não pudesse voltar. Eu queria ir e lhe dizer um poema, baixinho. E eu finjo que esqueço as palavras, para que você as lembre de dizer.
A realidade esconde o que eu sonhei.
Você senta ao meu lado, para vermos um filme antigo. Eu divido meu olhar entre você e a tela em preto-e-branco. Os meus dedos entre os seus, os meus olhos sobre os seus, então sorrimos. Calmos. Os instantes que são nossas vidas se cruzaram, enfim, no labirinto que é a eternidade. Depois do filme, com a cabeça em meu colo, você me diz o seu poema preferido.