quinta-feira, 20 de março de 2008

Looking In

Fui ver a peça H.E.R.Ó.I.S.
Seria piegas eu dizer que a palavra que ficou é "superação". Mas é, até certo ponto. As personagens superam obstáculos, mas é tudo em torno da desesperança. É triste. Você vai descendo para o local mais fundo do Centro Cultural São Paulo e sai de lá com a sensação de que correntes estão amarradas ao seu calcanhar. Pesa. Seja pela irrealidade, pela loucura de um homem encarcerado e nas vésperas de uma rebelião, sonhos pisados, um homem esquecido (que a platéia é convidada a prestar atenção, a iluminar algo que a sociedade colocou à margem), louco e, acima de tudo, lúcido. Seja pelo homem cego que espera alguém que ele ama. Sarah. Com H no final. Um homem que espera, espera... E a cegueira provoca, em algum momento aquele sentimento cruel de piedade. Ah, mas tinha a superação, e na peça a única representação de medo é de alguém da platéia que foi privado da visão por instantes. Você sobe as escadas e um pouco de você fica lá em baixo. Nas masmorras. E a masmorra é um pouco dentro de você. E num dado momento toca uma música conhecida, mas que você nem sabe o nome. E de alguma forma você tem certeza que "navegou no barco pirata", e isso é único.

2 comentários:

vru disse...

Muito delicado seu texto.
Muito bonito, mesmo.

Aline Yasmin, Bruno Vaks e Simone Silveira disse...

você foi fundo Dario...fico feliz por isso. obrigada por suas palavras. um beijo grande.yasmin