sexta-feira, 4 de julho de 2008

Ferida

Hehehe, você lembra? Eu tinha 13 anos e você 12, talvez 11, seu rosto era redondinho, mas suas intenções eram piores que as minhas, hehehehe. Você falava comigo fazendo graça, sorrindo como quem se entrega, eu estava arisco. Agora eu lhe digo: E-U-N-Ã-O-Q-U-E-R-I-A. Eu subi na árvore, com o fôlego de criança que ainda restava em minha pré-adolescência e você nada entendia. Subimos a rua, buscando um lugar que não tivesse uma árvore para me distrair, aí eu seria seu definitivamente. Sentamos na grama. Olhamo-nos e uma sombra do que seria a vida adulta baixou em nós naquele momento. Eu sabia o que você queria. Eu sabia do que você seria capaz. Então eu tinha medo. Você me atacaria e em nome de algo que fugia ao meu controle eu sucumbiria e me entregaria a contragosto e você se esbaldaria num ato nojento que eu abominaria para o resto de minha vida. Sua mãe aparece de carro. Encara-me ameaçadora, como fosse eu a fera e você a presa. Não ouso lhe sorrir. Você entra no carro, percebo decepção em seu corpo retraído, decepção comigo, com sua mãe que interrompera nosso ato. Você se vira num breve instante para mim, querendo se despedir. Eu forjo uma expressão de pesar, mas interiormente é festa. O carro sai. Sozinho eu caminho para casa, pensando o que seria da minha vida.

4 comentários:

Sarah Germano disse...

talvez suas intenções fossem piores

vonomatopeia disse...

já sei, já sei:

"calma, tia, posso explicar tudo", você pensou em dizer, ou disse

Tallulah disse...

Você tinha medo.
Apenas.

Victor disse...

nossa, gostei disso, parece muito pessoal rsrs

e compreendo esse lance de querer e não querer e as escapadas q a gente faz pra acabar não fazendo as coisas fora da hora q seria o ideal...
vai contar isso melhor depois rs