segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Instante

Tomo a rosa em minhas mãos e a beijo. Como sendo absorvido, meus segredos se desfazem dentro da flor que me esconde os espinhos. Confidencio dentro da planta meu nome e num instante é aurora. Adentro a flor, como penetrasse minha própria carne. Os espinhos se revelam e fazem brotar sangue de minhas mãos. O instante acaba e é crepúsculo. Uma breve chuva vermelha fecunda o jardim estéril da rosa. Ao redor da planta sei que sou eu a sangria que chora sobre a terra. Enquanto o breu toma conta da garoa que desprende de mim, a morte sussurra ao meu lado e adormece em meus olhos.

8 comentários:

Brenda de Oliveira disse...

Não sei mais o que dizer de seus comentários. O que diz está mais para poesia do que um simples comentário...


Abraço bom.

Brenda de Oliveira disse...

Nossa! Agora que li esse seu ultimo post!
Quase pensei em parar de postar meus escritos depois de ler isso aqui...

Cristiane disse...

Sabe... A minha flor preferida é a rosa. Sempre foi, desde criança, talvez pela rosas que minha mãe plantava no jardim. Já tive paixão por elas. Já quis regá-las de rubro. Por não ter tido coragem, elas morreram. Ao menos é alentador poder saber o que fazes com as suas...

Ricardo Valente disse...

Porra, tá muito bom! Tem significado ambíguo. Poderia até ser uma vagina essa rosa. Sério! Abraço, Dario.

Maria Clara Moraes disse...

A morte desistiu de morrer-te?

Eduardo Escames disse...

A aurora sempre está no seus textos. E o crepúsculo também.

E vc também consegue ser visual. Eu estou imaginando o texto.

Corso disse...

béry, béry good...!

estou com o ricardo...rsrs uma certa sexualidade velada, no ponto certo...

bom ter entrado aqui, caro Dario. vou voltar mais vezes, certamente.

ps: obrigado pelo comentário, e pelo tempo...

Rubens da Cunha disse...

obrigado pela visita ao Casa de Paragens. Gostei muito dos teus textos também, e do nome do blog.
Voltarei com mais tempo.
abraços