domingo, 3 de agosto de 2008

Murmúrio

O sol se põe, distante e enferrujado. Uma nuvem negra se posta sobre mim. De longe você ri. Um som grave brota da terra e invade o céu. "Trovões", sua boca articula. Uma chuva rala começa a cair. Estendo os braços. Lentamente vou me molhando. Agora é água, onde você fora fogo. Por alguns segundos seu sorriso ameaça desaparecer. O horizonte se torna lilás. "Purifique-se", alguém diz lá atrás. Percebo que existem outras pessoas a minha volta. Olho para você, interrogativo, que me responde assentindo, misterioso. Todos olham para a nuvem negra. Como quisessem desvendar o segredo daquela chuva. Tantas pessoas à minha volta, fecho os olhos e me ajoelho. "Não há ninguém aqui". Você fica sério. Não existe mais horizonte. Percebo que esfriou. As pessoas começam a ir embora. As gotas vão rareando. Penso em caminhar até você. Minhas roupas pesam. Você percebe minha intenção e me encara assustado. Tenho medo. Medo do seu medo. "Mostra-me o mundo dos confins dos seus segredos", murmuro. Você vira as costas e vai embora. A chuva cessa.

5 comentários:

Vru disse...

A chuva nunca para...

Brenda de Oliveira disse...

Adoro seus comentários.
Parece que consegue ver a mim de uma forma simplificada melhor do que eu mesma vejo.
Ou enxerga vários lados meus, que não havia percebido...
Ah, sei lá!,parar de falar besteira.
Só sei que gosto.

:]

Sarah Germano disse...

a chuva sempre para; e grita.
os segredos ficam e calam(-nos)

Eduardo Escames disse...

Sabe que é difícil imaginar chuva ao pôr do sol?

Chega a ser doloroso até.

De qlq forma, cirei meu blog. www.lacrimaperpetuum.blogspot.com

Pule lá. Falei da chuva tb, mas o texto não é inédito.

malu disse...

sabe uma das mentes que gostaria de entrar é a sua...poder entender essa sensibilidade que existe dentro de vc...amei e amo tudo o que vem de ti..."medo do seu medo"..."Mostra-me o mundo dos confins dos seus segredos"...
é forte e poético...tocante...