terça-feira, 21 de outubro de 2008

Leste

Onde é escuro, leve todas as histórias que você me contaria, leve o medo que eu sentiria diante de você. Envolva sua nudez incógnita com a brisa que me escapa pelas mãos e esconda onde eu não mais a veja. Roube-me as suplicas e as leve consigo para algum beco que eu não conheça, esconda-me as palavras reescritas e se arraste no sussurro que faço de conta não escutar. Caminhe para o oeste, fuja! Porém, antes silencie minha boca e não me deixe dizer o que está escrito em todos os lugares. Leve no bolso meus devaneios e despeje-os no cais da noite, quando lá chegar. Onde é escuro, finja se lembrar de alguém que você desconhece.

sábado, 11 de outubro de 2008

Mais Um

Quando frio você aperta o passo. Feito aquela Julieta que você não viu, eu estou no centro do palco, eu murmuro seu nome e lhe procuro na platéia, mas como você no frio, todos os rostos são desconhecidos e súbito eu estou sozinho. Feito aquela Julieta, no centro de nada, no canto do palco, eu choro pela boca. Quando passo, aperta o frio.

Quarto Escuro

Ninguém diz seu nome e
Ninguém escuta quem sou.
Próximo a você pode ser
Qualquer lugar e tudo
Que temos são os olhos fechados.
“O sol nasce em seus lábios”
Pela primeira vez ouço a sua voz.

Não quero saber seu nome, não
Quero dizer quem sou.
Os olhos fechados me
Aproximam de ti e escapo
Indefeso, por todos os lugares,
“O sol se põe em sua boca”
Eu quase lhe revelo meu nome.