domingo, 23 de novembro de 2008

Grão-de-areia

Como um segredo, Grão-de-areia, dentro de uma concha adormece a sua dor.
Querem saber seu nome.
A pergunta ecoa no fundo do mar, mas seu nome é palavra que ninguém pronuncia.
Em seu gesto contido penso que apenas um vento forte lhe moveria.
No entanto, quando vejo as palavras que se formam atrás de seu olhar, sei que foi uma brisa que o levou para longe.
Como um segredo, você me diz quem você é, entretanto nada se ouve e o silêncio é uma ferida aberta, selada na concha.
Grão-de-areia, quando o mistério por trás de seus olhos escorrer em sua face, talvez eu não me surpreenda tanto, mas quando a brisa soprar ao meu lado, segurarei a Pérola, bem forte, e, em segredo, a lançarei ao mar.