domingo, 23 de novembro de 2008

Grão-de-areia

Como um segredo, Grão-de-areia, dentro de uma concha adormece a sua dor.
Querem saber seu nome.
A pergunta ecoa no fundo do mar, mas seu nome é palavra que ninguém pronuncia.
Em seu gesto contido penso que apenas um vento forte lhe moveria.
No entanto, quando vejo as palavras que se formam atrás de seu olhar, sei que foi uma brisa que o levou para longe.
Como um segredo, você me diz quem você é, entretanto nada se ouve e o silêncio é uma ferida aberta, selada na concha.
Grão-de-areia, quando o mistério por trás de seus olhos escorrer em sua face, talvez eu não me surpreenda tanto, mas quando a brisa soprar ao meu lado, segurarei a Pérola, bem forte, e, em segredo, a lançarei ao mar.

8 comentários:

Eduardo Escames disse...

A pérola não passa de areia.

E o tigre não passa de um gato.

Ricardo Valente disse...

Muito bom... perolizado! Abraço e saudade!!! (muito profundo)

Maria Clara Moraes disse...

O silêncio... Sempre ele.
Eu simultaneamente o amo e o odeio.

Rubens da Cunha disse...

delicadeza extremada. gosto disso.
abraços

Germano disse...

no começo do século, uma escola formou dois poetas amigos; um viria a ser como carlos drummond de andrade na sua perplexidade existencialista de dissecar o fato; a outra , com suas conclusões quase óbvias, sobre o óbvio que por vezes não se enxerga, veio a ser meio como manuel bandeira.
da mesma formação, com os mesmos livros , os meninos rumaram para lados diferentemente complementares.
ps.: ainda amo vc!

Van disse...

O amor (e a dor) produzem coisas lindas! Como teus escritos por exemplo.

Lindo. Parabéns!
Beijucas

VAN FILOSOFIA!

*

Corso disse...

rapazzz...!

feliz natal e próspero ano novo, pra ti e pra todo mundo que te cerca...!

abrasssssssss

Marcelo L Callegaro disse...

Po, não sou só eu que demoro pra atualizar o blog. rs

Feliz ano novo Dario!