sábado, 10 de janeiro de 2009

A Casa Que Nunca Entrei

A casa se desconstrói em minha mente.
As janelas para sempre fechadas, emitem o constante som de IMPENETRÁVEL.
Na porta, a fechadura escorre ferrugem, abandonada, como eu do lado de fora.
O pó ao redor da casa me penetra os poros, mas teimo em avançar alguns passos.
Encosto minha orelha na porta e ouço alguém caminhando lentamente, como dançasse a música que simulo escutar.
Amo, naquele instante, os pés fartos dentro daquela casa, que dançam música alguma.
Pela fechadura vejo um vulto que poderia ser eu, mas totalmente oposto, a melodia sepulta naquele corpo as palavras que insiti esconder (e falei).
Vou embora, deixando uma parte de mim dentro da casa inviolável e meu amor sob os pés que aguardam o final da música que nunca toca.