A Casa Que Nunca Entrei
A casa se desconstrói em minha mente.
As janelas para sempre fechadas, emitem o constante som de IMPENETRÁVEL.
Na porta, a fechadura escorre ferrugem, abandonada, como eu do lado de fora.
O pó ao redor da casa me penetra os poros, mas teimo em avançar alguns passos.
Encosto minha orelha na porta e ouço alguém caminhando lentamente, como dançasse a música que simulo escutar.
Amo, naquele instante, os pés fartos dentro daquela casa, que dançam música alguma.
Pela fechadura vejo um vulto que poderia ser eu, mas totalmente oposto, a melodia sepulta naquele corpo as palavras que insiti esconder (e falei).
Vou embora, deixando uma parte de mim dentro da casa inviolável e meu amor sob os pés que aguardam o final da música que nunca toca.


6 Comentários:
Extraordinário, Dario. Por que tanto tempo? Espero, que estejas, pelo menos fisicamente, bem. Forte abraço! (as imagens, para quem lê - e os ouvidos, estão demais)
isso!
falou e disse, se é o que interpretei, no teu comment...!
por falar, esse texto, na minha opinião, está entre os melhores que eu li aqui. e o poema, quarto escuro...
os finais tão lindos.
saudações!
abrasssssssssssss
Uma música que não toca é tão agonizante quanto uma melodia que não se pode tocar.
as cadências proibidas (e reprimidas) ainda podem cintilar pelas notas.
E estou sentindo pó no teclado.
o pó que penetra poro rasga, fere com acidez o tecido virginal. A minha pele é como uma cama de núpcias, pura e puta.
Bonito, poético, harmônico.
Gosto do fato de não ser poesia, no entanto. Não me dou bem com os versos, mas vejo muita poseia e lirisma nessa prosa bonita.
Não esperava menos.
http://sandubadequeijo.wordpress.com
belo texto.
abraços
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