sábado, 28 de fevereiro de 2009

Nu

Um anjo pousa ao meu lado. Tira sua veste branca de anjo e, nu, ele caminha. Mas não se mostra a ninguém. Ele permite-se tocar de leve as outras pessoas, no entanto é como se elas não sentissem, pois o anjo não olha para elas, não as vê, belas, pois é como que seus passos na terra crua lhe cegassem e o medo lhe faz crer que todos são feios. E a feiúra ele não toca. Na sua ingenuidade de anjo ele se aproxima, mas na aspereza humana (que ele desconhece) ele afasta todos ao seu redor e é como se ele se perdesse numa lágrima perpétua, num choro seco que nunca cessa, pois ele ainda não descobriu as suas asas. O sol vai mergulhando na linha do horizonte e é como se a figura do anjo encolhesse e eu vejo uma flor desprotegida secando lentamente. Uma flor que teme sugar a água que há na terra. E eu viro na próxima esquina, pois para mim seria tarde demais seguir aquele caminho. “Uma garoa fina poderia cair agora”, penso, como se tudo aquilo pudesse ser cena de um filme. E aquela criatura some às minhas costas, temendo nunca postar seus pés no chão em que pisamos e não sabendo que também seria tarde demais para ela aquele caminho, afinal, anjos não existem.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

O menino que caminha dentro de mim

O menino que caminha do meu lado não diz nada. Eu apenas quem falo. “Uma vez sonhei que estávamos num ônibus sem destino”. Ele nunca responde. Entretanto, com infinita delicadeza me põe milhares de interrogações no rosto que não posso sentir raiva. Num momento, o que vejo em seus olhos é o avesso da poesia e quase peço por favor para ele me dizer alguma coisa, mas eu nem seu nome.

O menino que caminha à minha frente, caminha sozinho. A mesma chuva breve que molha seu rosto confuso, cai sobre mim como pedisse licença. Ele cantarola uma música que finjo não escutar, mas que não sai de minha cabeça. Por vezes pensei que ele olhava para trás, no entanto era só distração. Não sei para onde ele vai. Sei que quero apenas segui-lo.

O menino que caminha atrás de mim não pergunta por mim, ainda que diversas vezes eu lhe disse meu nome. Ele me diz poucas palavras. Ou palavra alguma. Então procuro no subtexto alguma forma de dizer para ele que eu lhe entregaria o que ele não me diz e quer, não hesitaria de num breve sorriso deixar verter tudo que ainda não aconteceu sobre a terra onde nossos pés se cruzam (feito brincadeira).

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Um sonho.

Estávamos num shopping. Passeando. Amigos. Falávamos banalidades de amigos, alternávamos os grupos, sempre que andamos com várias pessoas, ficmaos alternando as ocnversas e etc. Eu me separei de todos num dado momento sei lá o porquê. Eu estava na entrada de um lugar que não sei direito o que era, tinham catracas e um balcão com duas moças e eu comprei um salgado. Depois eu acho você e os culpo. Vocês tinham me largado. Aí vamos ao cinema, eu ainda magoado. O cinema é enorme. As caderias formam um "escadaria" imensa. A Carla senta-se com o Felipe lááá em cima. Eu falo com ela. Aí vou me sentar com vocês. Passo pela Nair, por você, que está ao lado dela, pela Beatriz e pelo Mário. Você se levanta e vai se sentar pulando uma cadeira ao lado do Mário. Sento-me entre vocês. Você e Nair tinham quase se beijado e você mudou de lugar, tímido, contrariado. O filme começa. Eu deitei minha cabeça no ombro do Mário e ao mesmo tempo coloquei minha mão sobre a sua, pensei que você ia tirar a mão imediatamente, mas você não tirou. Nos olhamos. Apenas eu tenho medo. Nos abaixamos e trocamos carícias, escondidos (era um sonho, então era possível se esconder apenas se abaixando) eu, do Mário e você, da Nair. Aí eu te beijo, novamente achando que você fugiria, mas você acaba me dominando. Levantamo-nos. Temerosos. Olhamos para a Nair e para o Mário. Eu tenho mais medo. Nos olhamos e dizemos (no sonho, dizemos por telepatia) para tomarmos cuidado. Deito no Mário novamente, e nos damos as mãos (eu e você). O Filme acaba. A Carla e namorado descem. Nos olhamos outra vez. Ficmaos bem distantes no fim do passeio. Eu vou embora com o Mário. Na caminhonete dele. O caminho é bonito e triste. É um lugar sem casas, sem ninguém. Uma estrada fina, com curvas, num lugar silencioso, só mato, beeem verde, em volta. Eu sinto que o caminho é perigoso. Sei que estou indo para a cidade dele com ele, mas alguém tem algum problema com ele. E observo que ele está preocupado, distante. A caminhonete tem uma cor forte. Laranja? Vermelho? Não sei dizer. Era forte. O sonho acaba com esse ar de incerteza. O que ele fizera? O que eu fizera...
Acordei com o gosto de sua boca dentro da minha e com uma angústia sem fim. Acho que é por isso que escrevo-lhe isso. Confesso que abrandei alguns detalhes, esse sonho todo como lhe conto já é constrangedor o suficiente. Não me julgue louco ou coisa parecida. Aliás, não me julgue. Sonhos simplesmente são sem explicação ou, às vezes...