domingo, 15 de fevereiro de 2009

O menino que caminha dentro de mim

O menino que caminha do meu lado não diz nada. Eu apenas quem falo. “Uma vez sonhei que estávamos num ônibus sem destino”. Ele nunca responde. Entretanto, com infinita delicadeza me põe milhares de interrogações no rosto que não posso sentir raiva. Num momento, o que vejo em seus olhos é o avesso da poesia e quase peço por favor para ele me dizer alguma coisa, mas eu nem seu nome.

O menino que caminha à minha frente, caminha sozinho. A mesma chuva breve que molha seu rosto confuso, cai sobre mim como pedisse licença. Ele cantarola uma música que finjo não escutar, mas que não sai de minha cabeça. Por vezes pensei que ele olhava para trás, no entanto era só distração. Não sei para onde ele vai. Sei que quero apenas segui-lo.

O menino que caminha atrás de mim não pergunta por mim, ainda que diversas vezes eu lhe disse meu nome. Ele me diz poucas palavras. Ou palavra alguma. Então procuro no subtexto alguma forma de dizer para ele que eu lhe entregaria o que ele não me diz e quer, não hesitaria de num breve sorriso deixar verter tudo que ainda não aconteceu sobre a terra onde nossos pés se cruzam (feito brincadeira).

4 comentários:

Ricardo Valente disse...

Esse é o velho Dario. Muito bom! Gostei bastante! Abraços!

Eduardo Escames disse...

muito bom.
mesmo.

um de seus melhores post, na minha opinião.

Vâmvú disse...

Lindo texto. Profundo... emocionante. Gostei muito da idéia desses "meninos" que caminham com vc... Vou fazer coro ao Ricardo e ao Eduardo. Muito bom, gostei muito.
Parabéns!
Abração

Bruno Portella disse...

Foda Dario! Grande texto!

Algo muito mais forte do que eu me diz que todos esses meninos são o eu-lírico, que não se acha.

Muito bom mesmo!