quarta-feira, 1 de julho de 2009

Não-soneto

O tempo parou.
O silêncio que ecoa de outros versos ainda tremula em minha boca.
Parados no tempo, ainda perseguimos nossas fantasias como crianças que somos nesse mundo que nos assusta.
Por um breve momento meu espírito voou e eu achei que você estaria próximo a mim.
Eu disse o que sentia, e percebi que o silêncio não era em minha boca, e sim em seu ouvido.
Tão docemente você confidenciou suas dúvidas nas palavras que não disse, eu sorri.

O tempo parou.
Os sonhos foram deixados de lado e a poesia interrompida.
Distante de tudo, os desejos escorregam de minha mão e me pergunto: por que devemos esperar tanto?
Vejo em seu olhar escuro as dúvidas se denunciarem, mas as respostas em sua boca hesitante são tristes.
Cansado, eu te chamo pelos versos disformes que deixo aqui ao acaso.

O tempo parou.
As possibilidades vão se desconstruindo.
Você não teme olhar para trás e ver as cinzas do que nem chegou a existir?

O tempo parou.
Sempre um sonhador eu lhe vejo partir.
Aceno sem resposta, mas uma parte de mim ainda vai contigo. Por que me tomas?

O tempo parou.
Mas eu sei que voltarei a evocar seu nome.

(o que temos de parecido é o que mais me assusta)