quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Manhã Triste.

"Manhã triste", ele diz.

Mas nem sei que ventos batem a sua porta. Da varanda imaginária, da casa inexistente, observo-o caminhando próximo à estrada. De novo, não sei que caminhos percorre. As árvores são secas e silenciosas vistas daqui e é bonito como ele desaparece na curva e no ar fica seu corpo desenhado a pó, feito tatuagem no vento.
"Deixa. Ele sabe o que está fazendo", me diz uma senhora que me observa enquanto poda a roseira.

Assustado, eu a encaro, porém não pergunto nada. Quando volto a olhar para estrada só vejo a curva sem final.

E de repente é um tempo sem tempo. Estamos em um apartamento antigo, na rua Augusta, aos poucos o som da cidade vai nos acordando. A janela sem cortina nos joga o sol quase que com vulgaridade. Cara a cara, abrimos os olhos e nos encaramos.

Quando procuro sua expressão doce e espírito livre, me recordo da senhora e da roseira que ela impedia de crescer. Penso em ajeitar o seu cabelo bagunçado, mas a única coisa que faço é dizer:

Manhã triste.