quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Manhã Triste.

"Manhã triste", ele diz.

Mas nem sei que ventos batem a sua porta. Da varanda imaginária, da casa inexistente, observo-o caminhando próximo à estrada. De novo, não sei que caminhos percorre. As árvores são secas e silenciosas vistas daqui e é bonito como ele desaparece na curva e no ar fica seu corpo desenhado a pó, feito tatuagem no vento.
"Deixa. Ele sabe o que está fazendo", me diz uma senhora que me observa enquanto poda a roseira.

Assustado, eu a encaro, porém não pergunto nada. Quando volto a olhar para estrada só vejo a curva sem final.

E de repente é um tempo sem tempo. Estamos em um apartamento antigo, na rua Augusta, aos poucos o som da cidade vai nos acordando. A janela sem cortina nos joga o sol quase que com vulgaridade. Cara a cara, abrimos os olhos e nos encaramos.

Quando procuro sua expressão doce e espírito livre, me recordo da senhora e da roseira que ela impedia de crescer. Penso em ajeitar o seu cabelo bagunçado, mas a única coisa que faço é dizer:

Manhã triste.

4 comentários:

B disse...

Quando você escreve, é tão poesia que meus entendimentos e minhas histórias tornam-se sonetos de você.

A senhora na roseira é linda. Eu a vejo.

Eduardo Escames disse...

Apesar de ser um texto simples, tem um quê de romance de várias páginas.

Além disso, sabe que tem um ar de fim de tarde? Adoro finais de tarde, quando o céu fica vermelho.

one piece of we disse...

desculpa a invasão, mais eu adorei as coisas que escreve é tudo tão bonito, parece que você da vida as palavras. Beijos

Rosiane Raamos.

Brenda de Oliveira disse...

Êh, Dario.