quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Primeira Vez

Coloco o filme que já assisti e quero lhe mostrar, como se você pudesse sentir a mesma coisa que senti. Mas você parece não se interessar muito. Na penumbra ficamos encostados um no outro e logo meus olhos ficam pesados. Passivo, lhe observo. Você agora parece se interessar um pouco pelo filme e sinto como se eu não estivesse ao seu lado e minha mente fica ao seu redor. Quando te olho sem você me ver, é como se eu estivesse diante do espelho. Mas você é sempre mais belo no teu riso empolgado. No brilho do teu olhar. Na sua alegria quase infantil. Então é mais doce, então é mais frágil.

Penso no que dizer quando o filme acabar. "É bom, mas não o meu estilo", você vai dizer e eu vou sorrir, tímido, porque minha tentativa de unir o que é meu com o que é seu terá sido em vão novamente. Ficamos sem dizer nada quando eu procuro novas formas de dizer velhas coisas. Parece que você sempre está pensando naquilo que para mim é inimaginável. Como se não falássemos a mesma língua em nosso silêncio, a conversa que aconteceria se encerra antes de começar.

O filme avança e você parece ter se deixado levar pela história da mãe que não ama a filha. Estamos próximos, seu cheiro é suave e quente, eu queria lhe dizer isso, mas existem coisas que cortam como faca. E a lamina é cega. Minha mão, por fim, cai sobre a sua, aproximo meu rosto, seu cheiro é mais suave, é mais quente... Assim, quietos, nos entendemos. O filme termina e a tela azul te deixa mais pálido e nesse instante eu compreendo tudo! Pela primeira vez eu vi através de seus olhos escuros.

4 comentários:

Marcus Vinicius disse...

ahpábosta sabe! ganhe dinheiro com isso!

AndréTNK disse...

muito bom. mesmo...

Aurélio disse...

Cara, gostei muito. Identifiquei com o jeito que escreve.
E é sempre um troço o que a gente sente quando lê coisas assim.

erikaangelim disse...

Muito Bom =)