quinta-feira, 22 de abril de 2010

Poema Sem Final

Do livro das madrugadas:

Vejo que vem chuva. Ao longe os cães ladram. Seria o vento a lhes assustar? Ou seria alguém a pular o muro? As roupas balançam no varal. Vultos de fantasmas que não existem.

- E o grito dos cães que não silência?

É a chuva, que chega e vai embora, sem ninguém perceber.

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Seu rosto se forma em pensamento. Talvez eu tenha te tocado num espaço vazio do vento, onde eu não sabia o seu nome. Você surge como o primeiro capítulo, seguindo um prólogo interminável e confuso. Você, então, é outro. Não é o puro, não é o louco, não é o doce e nem aquele que me chamou como se eu fosse um apóstolo de Cristo. Você é todos eles à sua maneira que eu desconheço (e um dia descubro).

Houve, pois, uma casa que não se abriu, uma concha que se fechou e um arcanjo sem asas que não me encontrou. Surge, súbito, uma estrada sem horizonte onde caminhas descalço, mas não lhe vejo. Ouvir os seus passos é o suficiente para eu segui-lo. Breve eu te alcanço e faço o afago perdido no vento, onde, então, você diz meu nome. Meu pensamento se forma de seu rosto.

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