domingo, 8 de agosto de 2010

Verde

Sempre existe uma varanda, porque sempre existe um lugar que é um pouco o lado de dentro e um pouco o lado de fora. E enquanto eu estou ali, observo você que corre por todos os lados e sempre vem a mim com as mãos cheias de coisas. Eu sorrio quando você me oferece algo para experimentar.

Vejo, então, seus olhos profundos como os daquela velha atriz, que dizem tanta coisa que eu não entendo. Mas, como naquela atriz, minha atenção se prende em sua boca. Como se no olhar estivesse a alma e nos lábios estivesse a carne.

Não existe verso que seja livre o suficiente para correr por onde vão os seus pés. E com meus olhos de folha, pendo meu corpo para fora da varanda. E lá fora, ainda olhando para o lado de dentro, caminho breve, sabendo que me olha de todos os lugares que estiver.

Então, lhe digo no ouvido:

- Você é o vento que ensinou a flor a voar. Mas não digas a ninguém.

3 comentários:

Bru disse...

'Sempre existe uma varanda, porque sempre existe um lugar que é um pouco o lado de dentro e um pouco o lado de fora.'

Isso é de uma profundidade e sensibilidade. A varanda, tão dentro e tão fora... a varanda, lugar do sereno, da noite, dos segredos.... o verde, a folha... olha, vc é intensidade liquida. o amo.

Sarah Germano disse...

você é lindo.

Mea Culpa disse...

"E com meus olhos de folha, pendo meu corpo para fora da varanda. E lá fora, ainda olhando para o lado de dentro, caminho breve, sabendo que me olha de todos os lugares que estiver."

Você me tocou a alma. Sentimentos revoltos foram acalmados com a sutileza desse ballet de palavras, entrelaçadamente serenas, profundas, apaziguadoras.

Quero continuar acreditando que ele me olha... sempre...