domingo, 26 de setembro de 2010

Abraço

"...na tua presença palavras são brutas"
(Cecília - Chico Buarque)

Ele juntou todas as palavras que conhecia. As combinou de todas as maneiras possíveis, para dizer da maneira mais nua, em seu silêncio, o nome do seu amor. Eis que um dia, num descuido, palavras erradas mancharam a poesia. E, como quebrassem todas as flores, uma lágrima ele viu cair. Não da Bailarina, ou da Borboleta, nem do Colibri. Era sua. Inocente, na sua meninice desastrada, de quem não sabe do mundo, ele feriu o coração daquele que ele só via amor. Percebeu, logo, o quão brutas eram suas palavras e seus versos brancos. Olhou, em desespero, tudo o que havia escrito. Quis queimar! Que verso abusado esconderia outra flecha que ele jamais desferiria? Percebeu que não existe palavra bonita que descreva o passo da uma bailarina. Ou o acorde de um violino. Quis encarar quem ele ama o mais breve possível e pedir perdão por seu verso sem afinação. Todas as coisas que sentia ele diria, pois, num abraço. Ele guardou todas as palavras que conhecia.

Um comentário:

Bru disse...

Eu gosto do Colibri. Inspira uma liberdade ruiva, baixinha e desapegada. Claro, eu sei que não é ela, mas em meus sonhos eu transformo todo o seu. E nesses sonhos, o colibri é ruivo e atravessado.