terça-feira, 12 de outubro de 2010

Branco

Era eu chagando lá onde eu sempre quis estar. Mas eu não sabia de nada, nem o que eu temia. Havia uma casa, que eu nunca entrei, onde poderia estar toda a segurança que eu precisava naquele momento. Meu coração não se encontrava na ferrugem das chaves.

Deixado do lado de fora eu caminhei como estivesse sob a chuva. No entanto estava tudo seco à minha volta. Então eu vi um anjo. Frágil, o abracei. E nesse abraço sem reflexo, descobri que o anjo não tinha asas e que não poderia me levar para voar.

Desviado meu caminho, eu subi em um trem. Me vi, um dia, no sorriso de quem chorava como eu. E, achando que meus pés estavam no chão, eu quis levá-lo comigo para um passeio. Porém o trem chegou vazio na última estação.

No avesso dessas histórias, um rosto perdido quis me entregar seu coração. Ainda preso a uma viagem não feita, eu recusei. Fechado de culpa, eu maculei aquele coração com meu silêncio imaculado.

Pois, cansado desse caminhar, me deitei num canto da noite. Ounvindo o barulho do mar, como numa lenda, meu coração pequenininho se apaixonou por uma estrela.

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