quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O Poeta Que Não Sabia Rimar

Contam que vivia num reino muito distante, um pobre camponês que se apaixonou por uma estrela. Todos os dias, era pelo brilho breve que ele veria à noite que ele aguardava. E sua família não entendia seu coração vazio. Tantas moças olhavam para ele, mas seus olhos já estavam cheios.

Sonhava estar perto dela. Tinha as idéias mais malucas para tornar próxima a estrela que brilhava. Todas as noites, sufocado de palavras, ele lhe contava suas histórias. Era sua forma de fazer parte da vida dela, lá no alto, entre tantas outras estrelas.

E ele ouvia todas as palavras que ela dizia, com atenção. Não queria perder o que a estrela lhe contava, pois, se perdesse, sentia que isso aumentaria a distância que existia entre eles.

A estrela derramava sobre ele palavras, vírgulas e pontos finais. Então o camponês ia construindo uma escada mágica, com seus versos tímidos que não rimavam. Toda a noite ele olhava para ela, esperando palavras que iriam cair para colocar em sua escada.

E tudo isso, o pobre camponês guardava em seu coração. Pequeno. Frágil. Guardava os olhos da estrela de todos os habitantes do reino. E guardava a escada ainda incompleta.

Doíam-lhe os dias que seguiam as noites sem uma palavra sequer para ele colocar em sua escada de versos. Mas ele nunca desistia. E seguia seus dias a esperar a noite, pelas letras que ele misturaria.

O final dessa história é incerto. Dizem que ele conseguiu terminar a sua escada com a poesia que caia da estrela e que a encontrou lá longe, por fim. Certo é que de um dia para o outro nunca mais ouviram falar do camponês que brincou de poeta naquele reino e que, a partir desse fato, toda noite tinha um brilho especial no céu.

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