segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Spiccatto

Cansado, eu parei de caminhar. Mas o cansaço não estava em minhas pernas, estava nos meus pensamentos recorrentes. E nas histórias que se repetiam, com personagens trocados. Foi assim, de repente eu parei.

Não me pergunte como, no entanto uma música tocou repentina e intensa. Desconhecida, não estava perto, porém marcava cada acorde das músicas que eu tinha em minhas mãos.

Voltei meu olhar para algo que eu não enxergava, como quem olha para o horizonte do mar. O frio das histórias rompidas me cobre o corpo e tento fugir num suspiro indefeso.

Mergulho, breve, na música efervescente. Não sinto mais nenhum cansaço. Apenas um desejo lancinante e incurável de estar dentro dos seus braços.

Um solista na praia, com o olhar além do horizonte, mais belo que o oceano. Me aproximo cheio de carinho e me deito em seu colo, entregue, feito as músicas que tenho nas mãos.

Teço, com um cuidado que nunca tive, uma capa para o herói dos quadrinhos que eu desenho em minha pele. O sorriso sobre essas palavras de agora eu entregaria apenas a você.

Esses segredos invisíveis se propagam. E como é cálido te-los, enquanto as letras se juntam buscando não escancarar seu nome!

Fantasio, tímido, estar além do horizonte que aquele solista da praia observa. Solto as músicas que carregava e ofereço minhas mãos nuas para tocarem uma música para ele.

Encantado, eu olhei para o mar. Mas a palavras não estavam em mim, estavam sobre aquele homem na praia. As palavras que se repetiam, num conto inédito. Foi assim, de repente eu olhei.

Um comentário:

Bru disse...

Há coisas que não precisam ser ditas, explicadas ou entendidas. O solista na praia, toca doces acordes como aquele que possui os meus. São coisas que temos, mas ao mesmo tempo não vemos.

Te como.
(Esse te como foi meio Brecht. hahaha)