sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Coletivo

Seus pais sabem que está aqui? - perguntou a mulher ao menino. Ele a olhou com olhos profundos e vazios.
Deixa, não precisa responder, não importa, mesmo, né? - Sorriu. A mulher estava inquieta e observada todos os presentes cúmplice e curiosamente.
O ambiente era um pouco escuro. Uma mistura de calma e ansiedade envolvia a expressão de todos ali. A calma era triste. E a ansiedade era medo.
Se eu tivesse lhes conhecido antes, eu poderia ter amado vocês, disse o velho. Ele não queria convencer ninguém do que dizia, era simplesmente uma lamentação em voz alta.
Cara, às vezes isso faria você chegar aqui antes, você não nos conhece. O rapaz tinha frieza na voz, que saia cansada e grave.
Ninguém conhece, falou a mulher, mas sem a inquietude de antes. Tornara-se séria e duramente lânguida.
Aos poucos foram se movimentando pelo pequeno ambiente. Deitaram-se no chão como crianças cheias de esperança. Permitiram-se esse último devaneio.
Disseram-se Boa Noite cordialmente. Fecharam os olhos e esperaram. Os sonhos ficaram sobre a mesa, com as embalagens vazias dos remédios.

Um comentário:

betucury disse...

As embalagens parecem embalar o sono dos meninos ao redor da mesa. Embalagens servem ara isso. Servem também para embalar os sonhos das senhoras, dos senhores e do menino. Alguém me disse: Te conheci menino. Ao ver-me novamente, sem os remédios, dirá cordialmente: Menino ainda és