terça-feira, 30 de novembro de 2010

Continho

Numa capela, no alto do morro, meu coração de ouro eu coloquei em suas mãos. Não me lembro as palavras do padre, nem se o que escorria no canto do seu rosto era água benta ou uma lágrima traidora. Me lembro de como deixava escapar olhares para a porta. Rápidos, mas desconcertantes. Saímos sob risos, aplausos e arroz. Eu sabia que eu jamais voltaria para aquele vilarejo. Mas não sabia que de você eu não sabia nada. Lembro de ter apertado a sua mão bem forte antes de entrarmos no carro e ter lhe dito:

- Não deixe isso morrer.

Depois fica tudo turvo. Me lembro de você sorrindo docemente, de longe, mas isso é uma lembrança perdida de um dia que nem nos conhecíamos. Às vezes me pego a imaginar você correndo, com meu coração, no alto do morro, atrás da capela.

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