segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Mãe

A barriga estava grande. A pele esticada. E toda a calma do mundo entrava pela janela e pairava ao seu redor. A mulher conversava em pensamento com o seu filho que ainda não era nascido. Acariciava a própria barriga, ninando-se a ninar o bebê.

Que rosto teria? Que sorrisos lhe daria? Via pelo quarto vazio o menino correndo. A menina brincando. Via no berço que não estava ali a criança dormindo. Como um anjo que ela roubou do céu e escondeu dentro dela.

O tempo futuro vem lento. O coração que se enche. Em meus braços, em breve, ela pensa. Uma parte dela do lado de fora. Uma parte outra, completamente única. Com a mão no ventre ela beija o filho dela, beija o filho do mundo.