segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Fumaça

Era um vestido preto desbotado de um tecido grosso e sufocante. O vestiu como se preparasse para o próprio funeral. Penteou o cabelo branco e ralo, apanhou uma vela e foi até a rua. Chegou até a praça, e, em meio a todos, acendeu a vela e colocou fogo em seu vestido. As chamas foram ardendo em sua pele enrugada. Gritava num prazer fétido. Debatia-se. Chocados, os presentes se cutucavam, comentavam, não podiam acreditar! Mas ninguém teve coragem de acudir a senhora. Aturdida, a praça viu a velha virar fumaça.

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