segunda-feira, 23 de maio de 2011

O Poema Que Eu Lhe Fiz

Espio por uma janela o seu caminhar lá longe. Um sorriso curto sempre marca o seu rosto, enquanto seu olhar vê o que eu não alcanço. Bonitos são seus passos que andam por onde eu não te sigo. Eu sei que um dia nos desencontramos. Ou nos vimos brevemente enquanto estávamos perdidos.

Você não sabe, mas um dia me salvou. Eu estava no fundo de um mar escuro. Então você me puxou, sem saber onde me deixar. E eu, sem saber onde pousar, me deixei subir. Sem dizer nada, pois, você me libertou.

A oração é curta enquanto a poesia acontece. De súbito eu penso que iria em qualquer lugar onde estão seus passos. Eu te encontraria de novo num desencontro outro. E dessa vez, você saberia do poema que eu lhe fiz.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Do Amor

Descemos a rua com as mãos soltas. Seus lábios cerrados, expressão séria, seus olhos distantes. Quando minha voz soava um pouco mais alta, você voltava-se a mim. Então me dava um sorriso. Breve. Não sei se era por causa de uma das histórias que eu me perdia a contar. Ou por causa da minha meninice que eu não sabia esconder.

Os nossos olhos são os mesmos, eu lhe diria. No entanto dizem coisas completamente diferentes, e isso eu calaria. Estenderia-lhe meus braços, e nos veríamos iguais no corpo. E por mais fulgás que pudesse ser o momento, poderíamos ouvir o nome um do outro. Então o riso seria culpa sua. Culpa minha, no prazer que não se ocultaria.

A pureza que viu em meu rosto, você não sabe, mas era sua. Eu a senti em você no primeiro abraço que me deu. Uma pureza que persistia sob todos os seus passos e quedas. Não existe pureza mais pura que a que sobrevive em um pecador. De repente ninguém é santo.

Lembro de ter te encarado no meio da rua. Diante de mim seus olhos estavam tão distantes, que eu tive medo de te abraçar. Olhava-te com um receio injusto, porém que fazia sentido nas marcas que eu carregava. Lembro de ter me encarado num canto da rua. Você estava tão perto, e eu só queria ter te abraçado.