segunda-feira, 2 de maio de 2011

Do Amor

Descemos a rua com as mãos soltas. Seus lábios cerrados, expressão séria, seus olhos distantes. Quando minha voz soava um pouco mais alta, você voltava-se a mim. Então me dava um sorriso. Breve. Não sei se era por causa de uma das histórias que eu me perdia a contar. Ou por causa da minha meninice que eu não sabia esconder.

Os nossos olhos são os mesmos, eu lhe diria. No entanto dizem coisas completamente diferentes, e isso eu calaria. Estenderia-lhe meus braços, e nos veríamos iguais no corpo. E por mais fulgás que pudesse ser o momento, poderíamos ouvir o nome um do outro. Então o riso seria culpa sua. Culpa minha, no prazer que não se ocultaria.

A pureza que viu em meu rosto, você não sabe, mas era sua. Eu a senti em você no primeiro abraço que me deu. Uma pureza que persistia sob todos os seus passos e quedas. Não existe pureza mais pura que a que sobrevive em um pecador. De repente ninguém é santo.

Lembro de ter te encarado no meio da rua. Diante de mim seus olhos estavam tão distantes, que eu tive medo de te abraçar. Olhava-te com um receio injusto, porém que fazia sentido nas marcas que eu carregava. Lembro de ter me encarado num canto da rua. Você estava tão perto, e eu só queria ter te abraçado.

Um comentário:

Iza disse...

São esses os abraços mais fortes que já demos... são esses os momentos vividos repetidamente na memória!!!

Amor as vezes é assim, como ver a fruta no pé e não alcança-la pra colher! Fazer o que se escada nenhuma dá pé?!