Um dia, como prometêssemos a eternidade um ao outro, rimos, ombro a ombro, de pequenas coisas que não tinham muita importância, mas nos faziam felizes naquele momento. Então eu te matei.
Entramos juntos num lago, enquanto o inverno terminava. Eu sabia quão fundo você estava e não lhe disse nada. Quando você chamou por mim, eu mergulhei. E de novo você chamou, perdida na superfície fria. No entanto eu não emergi. Era escuro no fundo do lago e por mais que eu soubesse onde estava, eu não sabia para onde eu ia. Caiu a noite. A água gelou, retraindo a pele. De repente estávamos em marges distantes. Não ouvi o seu choro. Mas de onde eu estava eu chorei por nós. E por mim.
Um dia eu te matei. Mas o sangue em minhas mãos não era apenas seu. Como fosse o fim a maior prova de eternidade, eu vi que o meu próprio peito sangrava.
5 comentários:
Sem ter muito o que dizer, apenas, passei por aqui e adorei ler as linhas, poucas e fortes, deste texto.
=´´´(
=O
Toda vez que leio um texto seu, consigo ver a cena na minha fte. Linhas tristes, mas lindo! Quem sangra, mostra que tem vida dentro de si.
Esse, eu acho, é o seu texto mais sombrio. Eu acho. É belo, mas sombrio.
Fim = alívio --> liberdade
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