quarta-feira, 27 de julho de 2011

Mãos

Um dia, como prometêssemos a eternidade um ao outro, rimos, ombro a ombro, de pequenas coisas que não tinham muita importância, mas nos faziam felizes naquele momento. Então eu te matei.

Entramos juntos num lago, enquanto o inverno terminava. Eu sabia quão fundo você estava e não lhe disse nada. Quando você chamou por mim, eu mergulhei. E de novo você chamou, perdida na superfície fria. No entanto eu não emergi. Era escuro no fundo do lago e por mais que eu soubesse onde estava, eu não sabia para onde eu ia. Caiu a noite. A água gelou, retraindo a pele. De repente estávamos em marges distantes. Não ouvi o seu choro. Mas de onde eu estava eu chorei por nós. E por mim.

Um dia eu te matei. Mas o sangue em minhas mãos não era apenas seu. Como fosse o fim a maior prova de eternidade, eu vi que o meu próprio peito sangrava.

5 comentários:

Weber disse...

Sem ter muito o que dizer, apenas, passei por aqui e adorei ler as linhas, poucas e fortes, deste texto.

Jiquilin disse...

=´´´(

Bruna Katharina disse...

=O
Toda vez que leio um texto seu, consigo ver a cena na minha fte. Linhas tristes, mas lindo! Quem sangra, mostra que tem vida dentro de si.

B disse...

Esse, eu acho, é o seu texto mais sombrio. Eu acho. É belo, mas sombrio.

Eder disse...

Fim = alívio --> liberdade