sexta-feira, 15 de julho de 2011

Menino

A mãe ajeita o xale e aperta os braços. Mais por costume do que pelo frio. Seu gesto carrega, na verdade, um tanto de saudade. Olha os quadrados de vidro separados pela madeira envelhecida da janela, passa a mão e intriga-se com o pó em seus dedos. Quanto tempo teria se passado? Olha a grama verde que desce até além de sua vista. Então se lembra: meu menino, pra donde foi meu menino?

Alembro dele dano os primero passinho. As bochecha gorda de criança. Incrive como ria pra tudo! Alembro, tomém, quando meu menino caiu. Susto dos grande. Nunca mais queria meu fio andano. Mais tinha que andá, né? E andô. Era bunito meu fio. Se o sinhô encontrá, diz pra ele vim deitá no colo da mãe dele, diz?

O menino cruzou a varanda num segundo. E correu pela grama podada, sem certeza de para onde as pernas corriam. De certo, apenas, aquilo dentro dele, quente, que sentia. Nem olhou para trás. E nem viu a benção que sua mãe lhe dava, em silêncio, pela janela. Vai cum Deus, fio, vai sê filiz. Em seu peito nunca anoitecia.

Um comentário:

Bruno Portella disse...

Delicado e belíssimo. Ótimo, Dario!