quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Câmera-lenta

Eu não te amo. E dizer isso não me dói. Porém saiba que sob cada palavra que eu lhe escrevi, eu escondi um desejo latente. Que você não viu. Como numa dança, onde o que lhe encanta são os gestos e as expressões que escapam do rosto, o que eu lhe digo está nos pés da bailarina. Que você não vê.

Um diante do outro, nossos olhos cortam em direções opostas. Às suas costas vejo um céu alaranjado que aos poucos escorre no horizonte. A câmera-lenta é tão melancólica que é quase como se eu chorasse. Mas eu não choro. Procuro nos seus olhos de breu o horizonte que se desenha às minhas costas, porém eles não me dizem nada. Ou eu não vejo.

Eu tropeço nas palavras que eu não sei escrever, porque os passos da bailarina são dados no escuro. Pensar em você é sempre pensar em outro lugar. Um lugar meio vazio. Eu não sei nada além do seu nome que eu vejo em todos os lugares, de tantas maneiras. Dizer que eu não te amo é a forma mais sincera de te amar.

Um comentário:

letrúcia disse...

ô dario, coisa bonita. ver o amor em todos os lugares. o desamor também. todos os lugares. beijo.