sábado, 19 de novembro de 2011

Um Texto Simples

Eu disse uma vez que seus olhos eram como a noite. Eu os vi numa lembrança que não era minha. Você sorria, estático, então eu encontrei muitas palavras dentro de mim. Eu queria fazer parte de uma lembrança sua. Uma lembrança física. Mas as nossas mãos são as rimas que não se cruzaram.

Visto do céu, o oceano é uma gota. Essas palavras todas já não têm sentido algum. Talvez como essa porção de números num parágrafo que te toma o tempo. Eu já quis saber a resposta, mas hoje eu sei que a dúvida é a poesia mais linda. No fundo do oceano, o tamanho do céu não importa.

O seu olhar é uma noite sem estrelas. Eu me repito, eu sei. Eu cansei de inventar palavras. Então, como naquela música: diga-me o que você quer que eu diga. Ou cante-me. Ou grite-me. Ou sussurre-me. Mas não se cale. Para mim, que digo tanto, o seu silêncio é um demônio preso às minhas costas.

(Pausa)

Num viés do sonho, eu atirei em ti. Percebi, pois, que atirara no espelho. Era o meu peito que sangrava. E o que doía em mim, em ti era dor nenhuma. O assassinato fora o suicídio. E que lindo perceber tal coisa. Tu, que chegaste num sonho, também num sonho embora foste. Num mundo de caravelas, onde dizes que a Terra é redonda, eu perco-me numa porção de versos decassílabos, e nesse mundo eu não te encontro.

(Pausa)

Está longe de amanhecer. E eu sei que quando a noite for embora, você vai fechar os seus olhos. Senhor do tempo. De um tempo que não existe. Essas poesias todas, de alguma forma, são lembranças suas. E quando notar isso, eu lhe peço, me de aquele sorriso que eu vi numa fotografia.

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