domingo, 28 de outubro de 2012

Maria


Você não pode me dizer sobre todas as cores que eu vejo pela janela da cozinha, no fundo de casa. Porém me conta sobre histórias sobre cada tom de verde que você segura em suas mãos. Muito antes de eu repousar em seu colo, você já piscava seus olhos claros, que parecem sempre cheios de lágrimas. Elas são tristes quando eu me lembro de todas as histórias que me contou, de um tempo que não me pertence. No entanto elas são alegres quando você me fala, com orgulho, de cada um de nós que estamos ao seu lado.

Sempre que eu te vejo frente a frente, é como me inundasse um mar calmo e morno. E eu ouço a sua voz lenta fazendo uma prece tímida. A folha de oliva pousa na imensidão azul. Não existe tempo. Você está nos meus cabelos, que dançam. E a música sai de sua boca, num assovio de apenas duas notas, mas que é a calma do meu coração.

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