sábado, 24 de novembro de 2012

Latente


A respiração é lenta. Como a falsa timidez de uma criança prestes a correr na direção de um balanço.

Porém cada pausa é como se você não fosse respirar outra vez. Então eu me contenho: eu não digo nada.

Eu me debruço na janela pra ver o pianista passar. Suave, morno e latente, como fosse uma dor nos Elísios.

A música se repete incessantemente pois a sua beleza pertence a um universo sem pausa. Universo sem tempo.

Quando acordar, eu terei saído. Eu não tenho pressa. Os meus passos estão no acorde e não na melodia.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Rimas Difíceis


Ficou esquecido num canto alguém que eu conhecia.
No trem oposto, n'outra linha, eu disse adeus.
Era inverno num outro lugar quando em mim amanhecia.

Ninguém se lembra de quando sabíamos muito pouco.
Os dedos trêmulos sobre o papel são meus.
Ninguém se lembra dos versos breves, tampouco.

Eu não queria que você guardasse aquilo que sobrou.
Solte o que resta, como a fé fina dos ateus.
Do outro lado na estação diga a mim que se lembrou.

Cada um corre no vale que se ergue no meu peito.
Cena de um filme de alguém que temia a Deus.
Eu repito cada nome, quando escurece e eu me deito.

Fim.