sábado, 24 de novembro de 2012

Latente


A respiração é lenta. Como a falsa timidez de uma criança prestes a correr na direção de um balanço.

Porém cada pausa é como se você não fosse respirar outra vez. Então eu me contenho: eu não digo nada.

Eu me debruço na janela pra ver o pianista passar. Suave, morno e latente, como fosse uma dor nos Elísios.

A música se repete incessantemente pois a sua beleza pertence a um universo sem pausa. Universo sem tempo.

Quando acordar, eu terei saído. Eu não tenho pressa. Os meus passos estão no acorde e não na melodia.

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