sexta-feira, 21 de abril de 2017

Dilema

Quando quedo-me à varanda sem meus olhos passarem por ti, me doem agudas a espera vã e as minhas mãos vazias.
Então eu prefiro não me sentar à varanda, para que, quando chegares, me pegues de sobressalto e, então, eu seja feliz.
Desbravas o mundo como quem teme perde-lo, como quem passou tempo demais sem percebe-lo, mas não tenhas tanta pressa.
Todo tempo que temos, apesar de muito pouco, há de ser o bastante enquanto estiveres entrelaçado na fé e na heresia.
Tu te escondes como um pecador entre os santos, porém não há nada mais sagrado que o silêncio escandaloso de nossos atos.
Meu coração palpita onde tu vacilas e a minha vontade emerge onde tu mergulhas. Não espero que venhas, mas não te demores.

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